sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dependência



Ternura em noite escura soletram corações diversos.

Os centros empalecidos de seres opacos lentos.

As brumas dos pensamentos devoram o bom senso.

O afeto remove as manchas das plenas certezas.

Almejas a substância química da nora e da adrenalina.

Morfina que adormece os olhos carentes.

Mente que compadece de migalhas de carinho.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Renascer




Viver é uma conjunção de renascimentos constantes.

Glórias, marcas e monumentos são alimentos da vaidade.

O que fica na essência é a vontade de ressurreição.

A fronteira para a eternidade está além da permanência.

Quanto mais se sobe mais se vê a paisagem e o platô.

As nuvens pesadas são na verdade momentos que se vão.

O brilhar de cada dia irradia o milagre do Amor.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Passado

      


        Por carência jogou seus afetos no lixo.
Pois um bicho em sua dignidade. 
Revoltada se rendeu a quem queria usa-la.
Achou que amar era uma histórinha de criança.
Não sabes depositar mais confiança.
Mas tudo pode acontecer no pais dos contos de fadas.
Talvez tenhas beijado as sapos errados.

domingo, 16 de outubro de 2011

Índio



Foste a árvore intocada na queda do paraíso.

Tuas penas de liberdade com pinturas de guerras santas.

Pacíficos heróis de peles nuas sem ter calcanhar de Aquiles.

Tudo o que dizes é o som do profundo silêncio.

Um lamento de não ver nem mais um pássaro no céu.

Sumiu o anel do sinal de bodas com a mãe natureza.

Aparece a incerteza de que  tenhas um novo amanhã.


Santa Idade



Menino cheio de sonhos que pude encontrar dormindo.

Anda sorrindo até em meio aos pesadelos.

Seus apelos de brincar sem brinquedos.

Mereces chegar ao portão primeiro.

E livre enfim podendo molhar o jardim.

Renovar o princípio e moldar o seu fim.

Acordando ensopado de vida cheirando arlequim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pelotão

Soldados dados de tão breve vida contrários a vã partida pra morrerem sem viver.

Cantando hinos hipnóticos em ritmos neuróticos no compasso da afirmação.

Desconhecidos avançam ao inimigo que nunca vão conhecer.

Retaguarda cobrida com armas compridas símbolos da aniquilação.

Matem ou morram pelo prazer sádico dos que não tem muito o que fazer.

Horror parindo a cada instante na melancólica coluna de infantaria.

As saudades dos amigos rabiscados nas trincheiras desertadas da nação.

domingo, 25 de setembro de 2011

Sentimentos não se vendem

SETE


                                           Penduro as roupas as vezes com preço.
Uso o avesso no lugar do certo.
Combino as cores sem cifra da moda.
Repenso meu jeito baseado nos outros.
Que esboço cafona faço eu de mim.
Repito em vez de criar manequim.
Desfilo ereta mascando capim.

G 8, 7...

SETE


Mesa de sete pontas mandando na Terra.

Piratas da conjuntura saqueando idéias.

Constróem sepulturas nos quartéis e milícias.

Poderes de lobos em peles de cordeiros.

Só conhecem aos seus nadando em dinheiro.

Abra os olhos ó “Águias” pro mergulho não ser tão fundo.

Acordem enquanto é tempo e dêem uma chance ao mundo.

Judas

SETE



Loucura comunga confusa amargura.



Pranto doente escanteio da mente.



Mesa vã posta de santa ceia.



Pedaço da terra comprado pra forca.



Traição existente do modo sombrio.



Que oculta a desonra e o lado vazio.



A inveja ao mestre do puro caminho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Insaciável

SETE
Meu grande amor foge na madrugada.

Passos quietinhos pra não me acordar.

Furtos ariscos de bicho do mato.

No meu retrato deixa batom.

Feito felina de instinto viril.

Volta pra cama ardente febril. 
 
Pra soltar meu grito encima do seu.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Torre de Babel

SETE





Mera coincidência alguém me olhar.





Todos aqui não falam minha língua.





Fingem que existem e não dão valor.





Vícios e errantes de prazer e de dor.





Senhor dos montes me enxerga daqui.





Mostra a palavra de dentro de mim.





Irmãos estrangeiros na Terra do Amor.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Trafi-infânte.

Guerrilha urbana de droga, miséria e maldade.

Organismo vivo se destruindo no sistema sangüíneo da humanidade.

Os que traem sua tolerância perdem tudo e mais um pouco.

Posto chama acesa na beleza negra dos que estão por baixo.

Corda que só arrebenta do lado lógico.

Luta de classes na lei da selva das sacanagens.

Corações em sabotagens no sabor do pão e circo.

Miragem


Falei sem refletir na mente o que disse.

Seu amor de bandeja parecia laranja na beira da estrada.

Pude entender sem querer o que você respondia.

Calado por dentro ficou muito mais fácil.

Me leva pra onde sempre estive.

Faça de mim uma vertigem nas areias do seu tempo.

Me encubra em mim mesmo nas dunas dos seus sentimentos.